Blog · 27 de setembro de 2026

7 erros que dificultam o emagrecimento na perimenopausa e na menopausa

Pular refeições, fazer só aeróbico, dormir pouco e cortar grupos inteiros de alimentos: entenda o que a ciência mostra sobre os erros mais comuns de quem tenta emagrecer na menopausa.

Por Dra. Michelle Rezende, nutricionista clínica, CRN-3 93350

Se você está na perimenopausa ou na menopausa e tenta emagrecer, provavelmente já ouviu de tudo: que pular o café da manhã trava o metabolismo, que é preciso cortar todo carboidrato, que só o aeróbico queima gordura. Algumas dessas ideias têm um fundo de verdade, outras atrapalham mais do que ajudam. Neste artigo, você vai entender os sete erros que mais aparecem no consultório, o que a ciência mostra sobre cada um e o que costuma funcionar no lugar.

Por que emagrecer fica mais difícil nessa fase?

Com a queda do estrogênio (o principal hormônio feminino produzido pelos ovários), a gordura tende a se concentrar mais na região da barriga, e a massa muscular diminui com mais facilidade. O estudo SWAN, que acompanhou mulheres americanas por muitos anos durante a transição para a menopausa, mostrou que a gordura corporal aumenta e a massa magra diminui justamente nesse período, mesmo quando o peso na balança muda pouco. Por isso, estratégias que funcionavam aos 30 anos nem sempre funcionam aos 48.

1. Pular refeições e compensar depois

A ideia de que pular o café da manhã, por si só, faz engordar não se confirmou: uma revisão de estudos clínicos publicada no BMJ em 2019 não encontrou esse efeito. O problema aparece quando pular refeições vira fome acumulada, e a fome acumulada vira exagero no fim da tarde ou à noite. Se você come pouco de manhã e belisca sem parar depois das 17h, o que precisa de ajuste é a organização do dia, e não o horário em si.

  • O que fazer no lugar. Observe o seu padrão. Se o café da manhã ajuda você a chegar bem ao almoço, mantenha, com proteína e fibra. Se você não sente fome de manhã e isso não gera exagero depois, não precisa se forçar.

2. Fazer só aeróbico e deixar a musculação de lado

Caminhar, pedalar e correr fazem bem para o coração e para o humor. O erro está em fazer só isso. Depois dos 40, a perda de massa muscular se acelera, e o músculo é um dos tecidos que mais ajudam o corpo a lidar com a glicose (o açúcar do sangue). O treino de força, como a musculação, é o que melhor preserva e constrói músculo.

  • O que fazer no lugar. Inclua treino de força algumas vezes por semana, com orientação de um profissional de educação física, e mantenha o aeróbico como complemento.

3. Dormir pouco

Na menopausa, o sono já costuma ficar mais frágil por causa das ondas de calor e dos despertares noturnos. Dormir pouco mexe com os hormônios do apetite: em um estudo clássico sobre restrição de sono, poucas noites dormindo menos reduziram a leptina (hormônio ligado à saciedade), aumentaram a grelina (hormônio que estimula a fome) e aumentaram a vontade de comer, principalmente alimentos mais calóricos.

  • O que fazer no lugar. Trate o sono como parte do plano. Horário regular, quarto escuro e fresco e menos tela à noite ajudam. Se as ondas de calor acordam você todas as noites, vale conversar com o seu médico.

4. Cortar todo o carboidrato

Reduzir açúcar e farinha refinada costuma ajudar. Eliminar todo carboidrato, incluindo frutas, feijão, arroz e raízes, é outra história. Esse tipo de restrição é difícil de manter por muito tempo, reduz a ingestão de fibras e frequentemente termina em efeito sanfona.

  • O que fazer no lugar. Escolha a fonte e ajuste a quantidade. Carboidratos ricos em fibra, acompanhados de proteína, tendem a saciar mais e a elevar menos a glicose.

5. Cortar todas as gorduras

As gorduras boas, como as do azeite, do abacate, das castanhas e dos peixes, ajudam na saciedade, na absorção de algumas vitaminas e na saúde do coração. Vale um esclarecimento: comer gordura boa não repõe o estrogênio que os ovários deixaram de produzir. O benefício vem da qualidade da alimentação como um todo, e não de um efeito direto sobre os hormônios.

  • O que fazer no lugar. Inclua gorduras boas todos os dias, em porções moderadas, porque elas também são calóricas.

6. Ignorar a fome e fazer jejuns extremos

O jejum intermitente pode funcionar para algumas mulheres, mas jejuns longos, feitos sem planejamento, costumam terminar em compulsão. Quem passa o dia inteiro "aguentando" muitas vezes chega à noite com uma fome difícil de controlar, e o que foi economizado de dia volta em dobro.

  • O que fazer no lugar. Se o jejum fizer sentido para você, ele precisa ser planejado, com refeições completas nos horários de alimentação e acompanhamento profissional.

7. Contar com adoçantes para emagrecer

Trocar o açúcar pelo adoçante reduz calorias, mas os estudos não mostram que isso, sozinho, leve a um emagrecimento duradouro. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde publicou uma diretriz recomendando que os adoçantes não sejam usados como estratégia de controle de peso. Há também pesquisas investigando o efeito de alguns adoçantes sobre a microbiota intestinal (o conjunto de bactérias do intestino) e sobre a glicemia, mas esses resultados ainda não são conclusivos em humanos.

  • O que fazer no lugar. Use com moderação e, aos poucos, reduza a necessidade de sabor doce ao longo do dia.

Por que nenhuma lista substitui uma análise individual

Os sete erros acima são comuns, mas o peso de cada um muda de mulher para mulher. Alguns exemplos:

  • Uma mulher com resistência à insulina pode se beneficiar de uma distribuição de carboidratos diferente da de quem tem glicemia normal.
  • Na perimenopausa, com ciclos irregulares e sintomas oscilando, a fome e o sono variam de semana para semana, e o plano precisa acompanhar isso.
  • Alterações de tireoide, uso de antidepressivos, reposição hormonal ou remédios para emagrecer mudam o apetite, a disposição e a forma de montar as refeições. Qualquer decisão sobre hormônio ou medicação é tomada com o médico que acompanha você.
  • Quem trabalha em turnos, cuida de filhos ou de pais idosos precisa de um plano que caiba nessa rotina, e não de um plano ideal que só funciona no papel.

Na prática clínica, o que funciona melhor é corrigir poucas coisas por vez, na ordem certa para o seu caso, até que cada ajuste vire hábito. Tentar consertar os sete pontos na mesma semana costuma ser o caminho mais rápido para desistir.

Referências

  1. Sievert K, Hussain SM, Page MJ, et al. Effect of breakfast on weight and energy intake: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ, 2019;364:l42.
  2. Greendale GA, Sternfeld B, Huang M, et al. Changes in body composition and weight during the menopause transition. JCI Insight, 2019;4(5):e124865.
  3. Spiegel K, Tasali E, Penev P, Van Cauter E. Brief communication: sleep curtailment in healthy young men is associated with decreased leptin levels, elevated ghrelin levels, and increased hunger and appetite. Annals of Internal Medicine, 2004;141(11):846-850.
  4. World Health Organization. Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline. Geneva: World Health Organization, 2023.

Perguntas frequentes

Pular o café da manhã atrapalha o emagrecimento na menopausa?
Uma revisão de estudos clínicos publicada no BMJ em 2019 não encontrou evidência de que pular o café da manhã, sozinho, faça engordar. O problema aparece quando pular refeições gera fome acumulada e exagero no fim do dia, por isso vale observar o seu próprio padrão.
Musculação ou aeróbico: o que é melhor para emagrecer na menopausa?
O aeróbico faz bem para o coração e o humor, mas fazer só aeróbico deixa de lado a preservação do músculo, que se perde mais rápido depois dos 40. O ideal é incluir treino de força algumas vezes por semana e manter o aeróbico como complemento.
Adoçante ajuda a emagrecer?
Trocar o açúcar pelo adoçante reduz calorias, mas os estudos não mostram emagrecimento duradouro só com essa troca. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde recomendou que os adoçantes não sejam usados como estratégia de controle de peso.

Este artigo é orientação geral e não substitui uma consulta individual. Se você tem alguma condição de saúde, usa medicação, está grávida ou amamentando, converse com quem acompanha você antes de aplicar qualquer coisa daqui. Qualquer decisão sobre a sua medicação é do médico que a prescreveu.

Dra. Michelle Rezende, nutricionista clínica, CRN-3 93350